As famílias dos castelos e o tufão destruidor

No castelo de Maintenon

Meu avô tinha seus padrões, suas fidelidades, seus rancores, suas convicções. Ele tinha o senso da honra junto ao culto do passado.

Ele era a intolerância feita homem. Inflexível, sem nuances, vivia num sistema no qual não faltava nenhuma parte.

Mas pura e simplesmente seu sistema não mordia mais o mundo. Mas ele pouco se importava.

Meu avô era discípulo de Bossuet. Era leitor assíduo de Barrès, o qual escreveu: “O que amo do passado? Sua tristeza, seu silêncio e, sobretudo sua fixidez”.

Maintenon, França

Gostava de história porque ela é imóvel, tendo já entrado numa eternidade inapelável.

Ao ouvir ‘La Marseillaise’ meu avô fingia não reconhecer aqueles acordes detestáveis. Foram necessários milhões de mortos, entre os quais vários de nossa família, para nos reconciliar com ela.

E meu avô vivera bastante para vê-la transformada numa manifestação tão reacionária, e talvez até mais conservadora do que os cantos de nossos chouans e de Monsieur de Charette.

Os homens e, sobretudo as mulheres de minha família liam muito pouco. Ouço em torno de mim lamentações a propósito da ignorância dos jovens.

Maintenon, Grande Gallerie

A estes, a escola, o cinema, a televisão e as viagens tinham trazido à família ‒ na desordem e na indiferença ‒ às vezes no esgotamento mental, um maior número de mentalidades, de paisagens, de verdades e de loucuras, de certezas e de dúvidas do que a chasse à courre, o protocolo da vida de château e as lições de nosso capelão.

Assim, perdíamos as evidências; os hábitos e a familiaridade nos levavam a não mais ver as verdades banais, aquele fundo imemorial dos modos de ser e de pensar.

(Autor: Jean d’Ormesson, “Au plaisir de Dieu”, Ed. Gallimard, 1980, 626 páginas.)

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