O castelo de Guimarães: nobre, de proporções distintas, sem nada de agressivo

O castelo de Guimarães, em Portugal, localizado no distrito de Braga, tem uma certa nota da suavidade lusa.

É preciso ter estado em Portugal ou ter nas veias sangue português — e, por extensão, brasileiro — para poder saboreá-lo bem.

Esse castelo, todo de pedra, é um encanto.

Seu aspecto exterior é muito nobre, com janelas ornadas de vitrais contendo desenhos bastante harmoniosos.

castelo de Guimarães
castelo de Guimarães

As proporções são muito agradáveis, sem apresentar nada de agressivo e sabendo guardar bem as distâncias e as hierarquias.

Diante dele, avista-se bem delimitado o campo de batalha de São Mamede, em que se travaram enfrentamentos militares dos quais resultou a independência de Portugal.

Para fazer uma comparação à maneira do turista moderno, sua dimensão equivaleria à área de uns três ou quatro campos de futebol.

Os reinos eram tão pouco povoados, naquele tempo, que batalhas aguerridas e nobres se efetuavam numa área com essa extensão, e o futuro de uma nação decidia-se assim.

A população da cidade de Guimarães promove festas nesse local.

Guimarães interior do Paço dos duques
Guimarães interior do Paço dos duques

Torre de Belém: interior gótico austero e militar

Nau de pedra do tempo que o brasão português era respeitado
e temido em todos os oceanos

A Torre de Belém é um dos monumentos mais expressivos da alma portuguesa. Localiza-se na margem direita do rio Tejo, onde existiu outrora a praia de Belém.

Inicialmente cercada pelas águas em todo o seu perímetro, progressivamente foi envolvida pela praia, até se incorporar hoje à terra firme.

O monumento é todo rodeado por decorações do Brasão de armas de Portugal, incluindo inscrições de cruzes da Ordem de Cristo.

Tais características remetem à arquitetura típica de uma época em que Portugal era uma potência global.

Ela foi eleita como uma das Sete maravilhas de Portugal em 7 de julho de 2007.

Originalmente sob a invocação de São Vicente de Zaragoza, padroeiro da cidade de Lisboa, recebeu no século XVI o nome de Baluarte de São Vicente a par de Belém e por Baluarte do Restelo.

A Torre integrava o plano defensivo da barra do rio Tejo projetado à época de João II de Portugal (1481-95), integrado na margem direita do rio pelo Baluarte de Cascais e, na esquerda, pelo Baluarte da Caparica.

Fortaleza para controlar o Tejo

O cronista Garcia de Resende foi o autor do seu risco inicial, tendo registado:

“E assim mandou fazer então a (…) torre e baluarte de Caparica, defronte de Belém, em que estava muita e grande artilharia; e tinha ordenado de fazer uma forte fortaleza onde ora está a formosa torre de Belém, que el-Rei D. Manuel, que santa glória haja, mandou fazer; para que a fortaleza de uma parte e a torre da outra tolhessem a entrada do rio. A qual fortaleza eu por seu mandado debuxei, e com ele ordenei a sua vontade; e tinha já dada a capitania dela [a] Álvaro da Cunha, seu estribeiro-mor, e pessoa de que muito confiava; e porque el-Rei João faleceu, não houve tempo para se fazer” (RESENDE, Garcia de. Crónica de D. João II, 1545.).

A estrutura foi iniciada em 1514, sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), tendo como arquiteto Francisco de Arruda.

Teto da capela

Localizava-se sobre um afloramento rochoso nas águas do rio, e destinava-se a substituir a antiga nau artilhada, ancorada naquele trecho, de onde partiam as frotas para as Índias.

As suas obras ficaram a cargo de Diogo Boitaca, que, à época, também dirigia as obras do vizinho Mosteiro dos Jerónimos.

Concluída em 1520, foi seu primeiro alcaide Gaspar de Paiva, nomeado para a função no ano seguinte.

Com a evolução dos meios de ataque e defesa, a estrutura foi perdendo a sua função defensiva original.

Ao longo dos séculos foi utilizada como registo aduaneiro, posto de sinalização telegráfico e farol. Os seus paióis foram utilizados como masmorras para presos políticos durante o reinado de Filipe II de Espanha (1580-1598), e, mais tarde, por João IV de Portugal (1640-1656).

O Arcebispo de Braga e Primaz das Espanhas, D. Sebastião de Matos de Noronha (1586-1641), por coligação à Espanha e fazendo frente a D. João IV, foi preso e mandado recluso para a Torre de Belém.

Canhoneiras para tiro rasante de artilharia

Sofreu várias reformas ao longo dos séculos, principalmente a do século XVIII que privilegiou as ameias, o varandim do baluarte, o nicho da Virgem, voltado para o rio, e o pequeno claustro.

A decoração exterior, adornada com cordas e nós esculpidas em pedra, galerias abertas, torres de vigia no estilo mourisco e ameias em forma de escudos decoradas com esferas armilares, a cruz da Ordem de Cristo e elementos naturalistas, como um rinoceronte, alusivos às navegações.

O interior gótico, por baixo do terraço, que serviu como armaria e prisão, é muito austero.

A sua estrutura compõe-se de dois elementos principais: a torre e o baluarte. Nos ângulos do terraço da torre e do baluarte, sobressaem guaritas cilíndricas coroadas por cúpulas de gomos, ricamente decorada em cantaria de pedra.

Nossa Senhora do Bom Sucesso

A torre quadrangular, de tradição medieval, eleva-se em cinco pavimentos acima do baluarte, a saber:

Primeiro pavimento – Sala do Governador.

Segundo pavimento – Sala dos Reis, com teto elíptico e fogão ornamentado com meias-esferas.

Terceiro pavimento – Sala de Audiências

Quarto pavimento – Capela

Quinto pavimento – Terraço da torre

A nave do baluarte poligonal, ventilada por um pequeno pátio fechado, abre 16 canhoneiras para tiro rasante de artilharia.

O terrapleno, guarnecido por ameias, constitui uma segunda linha de fogo, nele se localizando o santuário de Nossa Senhora do Bom Sucesso com o Menino, também conhecida como a Virgem do Restelo por “Virgem das Uvas”.

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As muralhas de Ávila: Hieraticidade, firmeza e vigor


As muralhas de Ávila, na Espanha, ostentam uma sinuosidade serpentiforme.

Delas não podemos dizer que apresentam um movimento sutil e com certo charme. As coisas que se esgueiram, normalmente têm charme.

Essas muralhas, entretanto, não manifestam charme, exibem sobretudo solidez.

Hieráticas, firmes, vigorosas como se fossem muralhas e torres no alto de um abismo.

Qual a razão disto? É claro que as numerosas pontas das ameias concorrem para causar essa impressão, bem como as várias torres salientes e firmes existentes na muralha.

Mas não é apenas isso. Há um imponderável, indefinível, que é o mesmo imponderável da segurança que revela o guerreiro, o qual é hierático mesmo quando assume atitudes que não são hieráticas.

Tão seguro da sua hieraticidade, que qualquer movimento seu exprime uma atitude inteiramente segura da própria dignidade.

É digno de nota não haver janelas nessas muralhas.

O que manifesta indiferença em relação ao lado de fora — uma característica nos monumentos espanhóis —, como quem diz:

“Eu sou e me proclamei para a eternidade. Vocês outros sabem o que sou, e o reconheçam; caso contrário, serão condenados.

“Se eu puder, coloco-os no cárcere; se não puder, Deus o fará, mas as nossas contas estão feitas para toda eternidade!”

Eis o que essas soberbas muralhas deixam subentendido.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, em 7 de fevereiro de 1974. Sem revisão do autor.

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